quarta-feira, 19 de julho de 2017

Da  Solitária.

Aqui dentro
Densas neblinas 
Frio
Vento.
Eu bato contra as paredes
E depois eu canso
E me sento
exausta 

É tão gelado
Tao sombrio
Tem um vazio 
E só

Não há entradas
Não há saída
Eu já acostumei 
Com o silêncio 
Com a neblina
Não espero liberdade 
Nem companhia. 
Só que tem dias 
que dói mais
A escuridão e o isolamento 
Mas depois passa
Tudo passa
Só essa neblina 
Que não.
Por isso não luto
Mais
Deixo-me envolver 
Por ela
Sem desespero
Sem ilusão 
E quando me sinto sufocada 
Eu choro
O choro dos perdidos
Dos prisioneiros
Dos rendidos
Eu choro e não luto
Aprendi nesta nebulosa
Prisão 
Chorar é digno e alivia
Mas lutar esgota
E é em vão.
                           Elis Campos.

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