sexta-feira, 28 de julho de 2017


Encontro.

Eu encontrei uma flor azul
Tão rara
Eu a encontrei entre sombras
Florescendo entre pedras
Doce. Digna. Bela.
encontrei -me nela
E chorei.
Eu encontrei uma
flor azul
Ela  é perfeita
Forte e desamparada
Não posso colhê-la
Não, não
A posso revelar
Eu encontrei seu perfume
Em minha alma
De uma forma
Que eu não posso explicar
 Que só posso compreender
De olhos bem fechados.

                                 Elis Campos.



quarta-feira, 26 de julho de 2017


É o entender 
que o tempo 
A seu tempo dirá
E fará silenciar 
Cada dia um pouco
O soluço rouco
O abafado choro
E está dor 
Não mais será 
Não é lamento 
Não é pesar
É o entender que 
o tempo,
A seu tempo,trará
Talvez respostas
Ou perguntas novas
Ou outra de mim 
Tão diferente e
"Que tolo", desse choro
Ela me dirá
Mas hoje essa que aqui 
Está 
Compreende que o tempo 
 há de passar
 Mas não passou ainda 
e hoje ela só precisa 
De tempo para chorar.

                                               Elis Campos.

sábado, 22 de julho de 2017

Silenciados 

E que haveria de se dizer
Diante de um por Sol 
De um lago sereno?
Nada. Não palavras
Não gestos
Não toques
Apenas contemplação 
Deixe em suspenso
Os pensamentos 
 Eles Tomam forma
Mas depois se desmancham 
Eles carregam belezas 
Não há palavras 
que os descreva 
Então apenas
não fale 
Não falo.
Assim é melhor, 
Silenciados pela
Consciência 
De que existem tantas coisas
A se perceber 
E que as mais belas
São aquelas 
que nos emudecem.
                                     Elis Campos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Falar de amor.

Amar é sobre caminhar
Sobre amar e reamar
Sobre reconstruir e perdoar 
Enxergar, compreender
Sofrer e depois...
Permanecer.
É sobre uma árvore 
De raízes profundas 
Que não se pode ver, 
que em tempos difíceis
Para encontrar águas 
Precisam crescer.
Ela tem flores de aparência suave
Mas de pétalas fortes
E tem frutos visíveis 
E secretos
Que a cada ano ficam 
 mais doces.
     Elis Campos
Da  Solitária.

Aqui dentro
Densas neblinas 
Frio
Vento.
Eu bato contra as paredes
E depois eu canso
E me sento
exausta 

É tão gelado
Tao sombrio
Tem um vazio 
E só

Não há entradas
Não há saída
Eu já acostumei 
Com o silêncio 
Com a neblina
Não espero liberdade 
Nem companhia. 
Só que tem dias 
que dói mais
A escuridão e o isolamento 
Mas depois passa
Tudo passa
Só essa neblina 
Que não.
Por isso não luto
Mais
Deixo-me envolver 
Por ela
Sem desespero
Sem ilusão 
E quando me sinto sufocada 
Eu choro
O choro dos perdidos
Dos prisioneiros
Dos rendidos
Eu choro e não luto
Aprendi nesta nebulosa
Prisão 
Chorar é digno e alivia
Mas lutar esgota
E é em vão.
                           Elis Campos.

domingo, 16 de julho de 2017

Eu não vou escrever toda minha poesia
Só vou mesmo rabiscar versos avulsos
Códigos e disfarces...
Minha verdadeira poesia eu guardo..
Nela minha alma resplandece e assusta
Nas suas nuances mais cruas e reais
Minha poesia sou eu ..indefesa e exposta
Meus silêncio,  minha dor , minhas respostas
Minha alma é feita de versos incompartilháveis